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Krahô

O povo Krahô está localizado no nordeste do estado de Tocantins, na Terra Indígena Kraolândia, situada nos municípios de Goiatins e Itacajá. Localiza-se entre os rios Manoel Alves Grande e Manoel Alves Pequeno, afluentes direitos do Tocantins. O Cerrado é dominante, entrecortado por florestas estreitas que acompanham os cursos d'água. A floresta ao longo do Rio Vermelho, que forma a fronteira nordeste dos povos indígenas, é mais ampla. Sua população é de aproximadamente 2900.

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©Leopoldo Silva/Divulgação

Processo histórico

A peregrinação dos Krahô-Kanela se deu início em 1977, quando foram violentamente expulsos de seu território. A partir de então, enfrentaram maus tratos, humilhações e até ameaças de funcionários da Funai (Fundação Nacional do Índio). Este povo esteve provisoriamente na Ilha do Bananal, na terra dos Karajá/Javaé. Brevemente, foram levados para o assentamento de trabalhadores rurais, Tarumã, no município de Araguacema/TO. 

 

A primeira tentativa de retomada de Terra Alagada, deu-se em 2001. Esta primeira tentativa de ocupação durou quatro dias, antes de serem novamente expulsos. Ao final daquele período, eles firmaram um acordo com a Funai e com o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e foram novamente transferidos para outra área. Os Krahô-Kanela são hoje um dos povos que mais sofre com o avanço do agronegócio no estado do Tocantins. Mesmo na área que ainda se habitam, nos municípios de Itacajá e Goiatins, eles têm sido ameaçados pelo avanço do cultivo da soja sobre o território dos Povos Originários, no qual também expulsa pequenos agricultores de suas terras.

Cultura

Os Krahôs vivem em aldeias em formatos circulares e são muito conhecidos pelas corridas de toras, que fazem todos os dias, logo depois de caçar, pescar ou trabalhar na roça. As Toras geralmente são feitas com tronco do Burini.

As aldeias Krahô seguem o ideal timbira de colocar as casas em um amplo anel viário, cada uma conectada por uma estrada radial a um pátio central. Cada casa geralmente tem um abrigo para as mulheres nascidas e os homens que se casam com elas quando saem da residência da mãe. É claro que o número de habitantes de uma casa não pode crescer indefinidamente.

A palha está presente no cotidiano de Krahô. As casas de duas águas, como as do sertão, mas sem janelas e com pouca ou nenhuma divisão interna, são cobertas com folhas de palmeira, que também preenchem as paredes, a não ser que sejam cobertas. No interior, podem-se ver cestos suspensos feitos de folhas de burit em grande número, que servem tanto para transporte quanto para guardar alimentos e utensílios. Outro tipo de cesto para partes de animais, feito com tiras da casca brilhante do caule do burit de vários tamanhos, é um paralelogramo com cantos arredondados e fechado com nós no barbante. Há também tapetes tecidos com fibra de burtiki, cujas franjas cobrem as bases de troncos de açaí silvestre que servem de camas. Os meninos usam outro tipo de colchonete, mais simples, para dormir no quintal do meio.

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